O achado de quem leu até o fim
O aluguel da máquina
Antes do Zen e a Arte da Escrita, Bradbury já tinha provado o próprio prazo de fora na pele. Em 1950, ele escreveu o primeiro rascunho de Fahrenheit 451 na sala de datilografia da biblioteca da UCLA, alugando a máquina a 10 centavos a cada meia hora. Sem dinheiro para levar o texto pra casa, voltava todo dia à mesma mesa até fechar a história em nove dias.
O relógio da datilografia funcionava como a mesa de Porto Alegre quatro décadas depois: cobrava centavo a cada meia hora rodada, e cada minuto parado custava dinheiro de verdade. Bradbury calculou depois que a novela The Fireman, semente do livro, saiu por 9,80 dólares de aluguel de máquina. Se você sente o manuscrito emperrar, vale perguntar que prazo externo falta à sua mesa, não que talento.
Fonte: The Bradbury Chronicles, biografia de Sam Weller (2005)